Precisamos dizer o óbvio: por que a morte da mídia física é ruim?
"A pior notícia da PlayStation é sempre a próxima. O fim das mídias físicas e o desligamento de lojas digitais colocam a preservação e a posse dos jogos em risco crítico."

A pior notícia da PlayStation é sempre a próxima. Não importa o quão ruim tenha sido uma notícia, ela dará um jeito de piorar na próxima vez.
E foi isso que aconteceu em 01/07/2026. Eles anunciaram que deixarão de produzir mídias físicas para games lançados a partir de 2028 e, ao mesmo tempo, anunciaram o fim das lojas digitais do PS3 e PS Vita.
Comprem apenas nas nossas lojas digitais, mas podemos tirá-las do ar a qualquer momento!

“Você não terá nada e será feliz.”
Essa frase, escrita por Ida Auken no ensaio “Bem-vindo a 2030”, foi bastante divulgada no Fórum Econômico Mundial. E ela descreve bem esse momento que estamos passando.
Há alguns anos, as lojas digitais passaram a adotar um movimento estranho: seus jogos não são seus. Você não os adquire quando os compra; adquire apenas uma licença para uso deles. Isso permite que eles sejam removidos de acordo com a vontade das empresas.
Em 2024, a Ubisoft decidiu fechar os servidores de The Crew, um jogo de corrida que requeria conexão constante com a internet. Eles não apenas decidiram tornar o game inacessível, como também decidiram reembolsar quem havia comprado o game recentemente e, pouco tempo depois, passaram a remover o game da biblioteca de quem o possuía. Tal movimento levou ao surgimento do movimento Stop Killing Games.

O caso da Ubisoft abriu um precedente perigoso, mas a situação consegue piorar quando olhamos para além dos jogos. Essa vulnerabilidade do consumidor digital se estende a qualquer tipo de entretenimento. Recentemente, a PlayStation anunciou que vai remover 551 títulos da Discovery COMPRADOS pelo usuário. Detalhe: sem direito a nenhum reembolso.

Felizmente, existem exceções no mercado que mostram que o digital não precisa ser um pesadelo. A plataforma GOG, por exemplo, vende jogos totalmente livres de DRM — o que significa que o jogo é seu de verdade e funciona offline para sempre. Até mesmo a Steam, apesar de usar DRM na maioria dos títulos, historicamente respeita muito mais a biblioteca e o bolso do usuário do que as publishers de console.

Quando uma loja digital morre — como vai acontecer com as do PS3 e do PS Vita —, uma parte da história dos videogames morre junto. Sem a mídia física e sem a posse real do arquivo (como no modelo sem DRM), a memória dessa indústria deixa de pertencer aos jogadores e passa a ser propriedade exclusiva de comitês corporativos.
No ecossistema 100% digital, não existe concorrência de varejo, não existe promoção em loja física e, acima de tudo, não existe o direito de revenda ou empréstimo. O preço é o que a publisher decidir na loja oficial dela, e ponto final. Se você quiser jogar algo que saiu de linha ou cujo servidor foi desligado, sua única opção será torcer por um remake caça-níquel anos depois.

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