Gravity Rush Remastered: Comecei a jogar por conta de Control Resonant e ADOREI!
"Prepare-se, pois esse game é coisa de maluco: Gravity Rush andou (ou melhor, caiu livremente) em 2012 para que Control Resonant pudesse correr pelas paredes hoje."
TL;DR // Veredito Rápido
- ▸ Criatividade sem amarras: Gravity Rush andou (ou melhor, caiu em queda livre) em 2012 para que jogos como Control Resonant pudessem correr pelas paredes hoje.
- ▸ Mobilidade inigualável: A mecânica de queda livre direcionada transforma a exploração de Hekseville em uma das navegações espaciais mais vertiginosas e gostosas dos videogames.
- ▸ Narrativa em Quadrinhos (HQ): Cutscenes contadas através de páginas interativas de HQ, com efeito de profundidade 3D que transborda charme e personalidade.
- ▸ Cirurgia técnica a 60 FPS: O trabalho da finada Bluepoint Games no PS4 eliminou o enjoo do PS Vita e deu ao jogo a velocidade e a precisão que ele sempre mereceu.
- ▸ Combate frustrante e repetitivo: O combate no chão é inócuo, te empurrando para o chute gravitacional (Gravity Kick), que frequentemente erra o alvo no vácuo enquanto a câmera se perde no espaço.
- ▸ Pouquíssima variedade de inimigos: Praticamente todos os Nevi são massas negras amorfas com esferas vermelhas em posições inconvenientes, cansando rápido em confrontos mais longos.
- ▸ Câmera desorientadora em espaços apertados: Em batalhas verticais caóticas, você frequentemente briga mais para saber onde fica o teto e o chão do que contra os próprios monstros.
- ▸ Mundo aberto com herança portátil: Hekseville é visualmente interessante na arquitetura, mas os NPCs são bonecos genéricos e o mapa tem pouca interatividade orgânica fora das missões.
Prepare-se, pois esse game é coisa de maluco. Sério mesmo.
Vi vários vídeos sobre Control Resonant e fiquei com uma vontade absurda de jogá-lo — o que, infelizmente, vai ficar para o ano que vem. Um trailer em particular me chamou a atenção imediata: um trecho com o Dylan Faden andando com naturalidade pelas paredes, sendo puxado por forças gravitacionais.
Aquilo me destravou uma memória instantânea de Gravity Rush, que eu já conhecia de vídeos antigos. E como ele está disponível no catálogo da PS Plus Extra, decidi dar uma chance à versão Remastered.
Ainda bem que fiz isso.
A versão original do game foi lançada em 2012 para o finado PlayStation Vita feita pela Sony, concebida e dirigida por Keiichiro Toyama (o mesmo gênio por trás de Silent Hill e Siren). Já a versão Remastered que temos no PS4 e PS5 saiu em 2015 pelas mãos da incrível e finada Bluepoint Games, estúdio responsável pelos remakes monumentais de Shadow of the Colossus e Demon’s Souls.
E sobre a parte técnica da remasterização: a evolução de 30 para 60 FPS me pareceu extremamente necessária. No Vita, tentar jogar esse game frenético a 30 quadros oscilantes — enquanto você tinha que girar fisicamente o próprio console portátil no ar usando giroscópio para mirar em um horizonte que virava de ponta-cabeça — com certeza devia dar bastante motion sickness e labirintite. A Bluepoint cravou 60 FPS estáveis, remapeou o controle com perfeição para o analógico direito do DualShock/DualSense e deu a fluidez indispensável para um jogo que se passa a maior parte do tempo em queda livre.
Sinopse
A história começa com Kat despertando desmemoriada em um beco esquecido da cidade flutuante e vertical de Hekseville. Ao seu lado surge Dusty, um gato misterioso feito de poeira cósmica brilhante que lhe dá um poder fora do comum: a habilidade de anular e redirecionar a gravidade ao redor do próprio corpo.
Tratada com medo e desconfiança pelos moradores — que chamam quem faz isso de “shifters” —, Kat não guarda mágoa. Vivendo como sem-teto nos túneis de esgoto da cidade, ela decide usar seus dons para ajudar o povo com um carisma contagiante.
(Kat tentando lidar com a desconfiança dos habitantes e autoridades de Hekseville)
A cidade, no entanto, vive em crise: Hekseville está sendo despedaçada por Tempestades Gravitacionais que engoliram bairros inteiros para o vácuo. Além disso, surgem os Nevi, monstros de matéria escura que atacam os civis. Kat parte então para resgatar os distritos perdidos, confrontar a shifter rival Raven e tentar descobrir quem ela realmente é.
Movimentação: O Coração Onde o Jogo Realmente Brilha
É aqui que o jogo brilha de verdade!
Kat não voa no sentido tradicional de super-herói: ela manipula a gravidade e se lança em linha reta para onde quiser.
Ao apertar R1, Kat desafia a física: ela se desprende do chão e fica flutuando no ar em gravidade zero. O mundo ao seu redor continua acontecendo em tempo real, enquanto você gira a câmera com o analógico direito e aponta a mira para qualquer ponto do cenário — o topo de um prédio, uma parede inclinada, o teto de uma estação de trem ou o céu aberto. Ao apertar R1 de novo, a gravidade daquele ponto é ativada e Kat desaba em velocidade máxima em direção ao alvo.
(Apertou R1: Kat desafia a gravidade no ar, pronta para se arremessar em direção a qualquer ponto da cidade)
Quando ela atinge a superfície, aquela parede vira o seu novo chão na mesma hora: as leis da física mudam de eixo, o cabelo e as roupas da Kat caem em direção à parede e você sai andando ou correndo naturalmente por fachadas verticais e monumentos de cabeça para baixo. Quer mudar de rota no meio do caminho? Aperta R1 no ar para parar no nada, mira em outro lugar e se joga de novo!
Além disso, segurando ambos os gatilhos, Kat ativa o Gravity Slide (deslizamento gravitacional), transformando as ruas e os trilhos suspensos de Hekseville em uma pista de skate, pegando curvas e descendo ladeiras em altíssima velocidade.
Toda essa festa dura enquanto houver poder no seu medidor de gravidade. Conforme a barra vai esvaziando, vem o desespero gostoso: você precisa achar rápido uma marquise, poste ou sacada antes que a energia acabe e você despenque milhares de metros em direção ao abismo infinito abaixo da cidade.
Combate: Onde o Jogo Peca
Se a movimentação é genial, no combate o jogo cobra o preço e assusta.
Você até tem a possibilidade de lutar no chão com chutes comuns, mas cara, com a liberdade de voar pelo cenário, você vai querer ir pro ar e dar chutes fortalecidos pela gravidade! O problema é que nem sempre a câmera ajuda (e pode dar até tontura); muitas vezes você vai brigar muito mais com ela do que com os inimigos em si.
O golpe principal é o Gravity Kick (chute gravitacional): você mira de longe, se joga no ar e dispara como um míssil contra o ponto fraco do monstro. Só que imagine a cena:
- Você mira no ponto fraco;
- Se joga em alta velocidade;
- O monstro dá um passinho pro lado;
- Você passa direto no vácuo;
- A câmera gira 360 graus, você se perde todo no espaço sem saber onde é teto ou chão e tem que se reorientar do zero.
(Enfrentando um Nevi gigante sob o céu avermelhado da tempestade: o combate em terra é ineficaz e o Gravity Kick sofre com a rotação da câmera)
E por falar em inimigos, a variedade é muito baixa. Você enfrenta basicamente o mesmo monstro repetidas vezes, apenas com formas e habilidades um pouco diferentes. Todos eles têm núcleos vermelhos que funcionam como ponto fraco. Só que imagine tentar acertar essas esferas enquanto enfrenta vários monstros ao mesmo tempo, de tamanhos diferentes e com pontos fracos em lugares péssimos de mirar, tudo enquanto eles te atacam e você briga com a câmera. Cansa rápido.
Direção de Arte: Talvez Desatualizada Hoje, Mas Incrível para a Época
Contar a história na forma de quadrinhos (HQs) é o ponto mais alto da arte.
A arte delas é lindíssima! Simples, muito expressiva, colorida e com uma transição bem fluida. Você folheia os quadros usando o analógico ou inclinando o controle, com um efeito de profundidade em camadas 3D que dá um charme único que pouquíssimos jogos têm.
(As cutscenes em quadrinhos interativos: expressividade, balões de diálogo dinâmicos e profundidade em camadas 3D)
Quanto aos modelos 3D do jogo em si, não espere nada absurdamente detalhado. A cidade é relativamente grande e a arquitetura é interessante, mas fora alguns NPCs detalhados que fazem parte da história, todo o resto dos pedestres é bem genérico, quase manequins parados.
Também sinto que as cores escolhidas para os bairros são um pouco monótonas em tons de marrom e cinza. E quando o jogo decide variar, como no caso da tempestade gravitacional, as cores ficam extremamente chamativas, ácidas e até irritantes aos olhos.
(A arquitetura industrial e as construções flutuantes de Hekseville, marcadas por tons frequentemente ocres e cinzentos)
Por outro lado, o áudio compensa com folga: a trilha sonora orquestrada com toques de jazz é deliciosa e combina perfeitamente com a sensação de aventura e leveza da Kat.
Veredito
Gravity Rush Remastered é aquele jogo que andou em 2012 para que títulos com manipulação gravitacional pudessem correr hoje. Ele tem seus tropeços nítidos no combate, na câmera teimosa e na repetição de inimigos — heranças claras do hardware limitado do PS Vita.
Mas a sensação de se jogar de cabeça no abismo, virar o mundo de cabeça para baixo e correr pelas paredes de uma cidade flutuante é simplesmente viciante. Se Control Resonant conseguir pegar essa ideia e somar com a excelência de combate da Remedy, teremos algo histórico. Até lá, Gravity Rush Remastered é uma experiência obrigatória para quem assina a PS Plus Extra e quer jogar algo genuinamente criativo e fora da curva.
Gravity Rush Remastered
Esta pontuação foi gerada através do posicionamento relativo de Gravity Rush Remastered nas 5 Tierlists mestras (Gameplay, Narrativa, Arte, Áudio e Game Feel). Clique na nota acima para inspecionar os pesos e detalhes de cada critério.
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