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Castlevania está de volta! Belmont's Curse é o retorno 2D mais ousado e dividido da franquia

"A internet está exagerando absurdamente: a Evil Empire acelerou o passo, transformou o chicote em gancho e entregou um dos jogos de ação mais fluidos do ano."

Castlevania: Belmont's Curse (2026)
Desenvolvimento: Evil Empire / Konami
Plataformas: PC, Switch, PS5, Xbox Series
Avaliação Final:
Castlevania: Belmont's Curse

TL;DR // Veredito Rápido

Resumo da Crítica
+ Pontos Positivos
  • ▸ Mobilidade surreal de fluida: o chicote como gancho e o sistema de momentum transformam a exploração em pura adrenalina.
  • ▸ Puzzles inteligentes: salas que realmente exigem raciocínio espacial e domínio das habilidades.
  • ▸ Design de personagens e direção de arte deslumbrantes que rivalizam com o capricho estético de Hades.
  • ▸ Variedade de builds: sete famílias de armas e arcanas variadas que incentivam estilos de jogo bem distintos.
- Pontos Negativos
  • ▸ Trilha sonora descompassada: sintetizadores genéricos e escolhas musicais modernas que quebram o clima gótico.
  • ▸ Desprezo pela cronologia oficial: retcons bruscos e anacronismos temporais que causam coceira nos guardiões da lore.
  • ▸ Falta de polimento técnico: quedas severas de framerate, congelamentos repentinos e momentos em que o personagem clipa na parede.
  • ▸ Choque inicial de identidade: a velocidade frenética à la Dead Cells vai afastar os puristas da cadência clássica.

Antes de qualquer coisa: a internet está exagerando absurdamente nas críticas. O jogo é bom, sim! A história engata muito bem conforme você evolui suas Arcanas, e a jogabilidade é uma das mais prazerosas do ano. Se puder, dê uma chance de coração aberto.


Belmont’s Curse marca não apenas o tão sonhado retorno da franquia vampírica da Konami, mas também a volta dos jogos 2D após um hiato de quase duas décadas — já que o último exemplar tradicional foi o brilhante Order of Ecclesia no Nintendo DS. Entretanto, o lançamento tem rachado a internet ao meio por conta de escolhas criativas bastante drásticas.

Para quem não acompanhou os bastidores, o desenvolvimento ficou a cargo da Evil Empire — o estúdio francês que cuidou de anos de expansões de Dead Cells e assinou a elogiadíssima DLC Return to Castlevania. Foi ali que a Konami percebeu que a faísca ainda existia e resolveu entregar as chaves da sua propriedade mais sagrada.

O detalhe é que a Evil Empire colocou muito do próprio DNA no projeto. Quando os primeiros trailers saíram, a reação imediata de boa parte da comunidade veterana foi de susto: a velocidade frenética dos golpes, o ritmo dos saltos e o estilo artístico remetem imediatamente a Dead Cells. E admito: eu, Lucas, não gosto nada de Dead Cells. Ver meu clássico gótico favorito beber tanto dessa fonte me acendeu um alerta vermelho gigantesco. Se não fosse pela demo pública, eu provavelmente teria passado longe do jogo. Mas ainda bem que joguei.


Sinopse

A imponente entrada do Castelo do Drácula em Belmont's Curse

Em Belmont’s Curse, acompanhamos Rose Belmont, uma descendente do lendário clã de caçadores de vampiros que se vê arrastada para as entranhas do Castelo do Drácula quando uma maldição ancestral ressurge ameaçando devorar a própria linhagem da família.

Armada inicialmente com sua espada curta e o sagrado chicote da família, Rose precisa abrir caminho pelas alas góticas e mutáveis da fortaleza demoníaca. Conforme avança, sintoniza novas Arcanas e desvenda os mistérios de uma maldição que transcende o tempo, confrontando horrores noturnos que colocam à prova não apenas sua destreza física, mas o peso trágico de carregar o sobrenome Belmont.


Gameplay: O Chicote Nunca Foi Tão Ágil

Quem nunca imaginou os chicotes dos Belmont funcionando como ferramentas acrobáticas de locomoção? Pois bem: se você nunca sonhou com isso, a Evil Empire não só sonhou como colocou essa ideia no centro nevrálgico do game design.

Não me entendam mal: o combate é muito divertido. Em alguns momentos achei até fácil demais para os padrões punitivos da série, mas o leque de customização compensa com folga. O jogo te oferece talismãs e Arcanas para criar sinergias e sete famílias principais de armas:

Arcana A Ocultista - Espetos de Sangue

  • Espadas de uma mão: Da mesma linhagem da lâmina inicial da Rose. Ágeis, equilibradas e perfeitas para quem preza por versatilidade, embora não entreguem o dano bruto das armas pesadas.
  • Luvas de combate: Para quem prefere resolver pendências com monstros no soco direto. O curto alcance exige colá-lo no inimigo, o que aumenta o risco de tomar dano, mas a sensação de impacto é impagável.
  • Espadas largas (Greatswords): Sacrificam quase toda a velocidade em troca de poder esmagador. Quem joga soulsborne ou monster hunter vai se sentir em casa calculando o timing de cada balanço.
  • Lanças (Minhas favoritas absolutas): Morcego voando no teto te enchendo o saco? Arremesse a lança e esqueça que ele existiu. Controle de distância perfeito.
  • Espada e escudo: Confesso que não entendi muito bem o propósito do conjunto. A lendária espada do Alucard inclusive cai nessa categoria, mas como ela só é obtida bem no final da campanha, quase não fez diferença prática na minha jornada.
  • Espadas duplas: Velocidade pura. Cortes vertiginosos que pegam alvos tanto pela frente quanto pelas costas. Uma delícia de usar.
  • Chicotes: O coração da franquia. Afinal de contas, não dá para carregar o sangue Belmont sem estalar um chicote nas trevas.

A Rose bombada após dezenas de horas de chicote (A Rose depois de dezenas de horas balançando chicote e carregando o peso da franquia nas costas)

Apesar desse arsenal variado, a grande estrela é a movimentação. O chicote vira um gancho que se ancora em pontos do cenário; você aproveita o embalo do pêndulo (momentum), estica o salto, alcança beiradas distantes, quebra paredes frágeis, emenda pulo duplo, aplica dash no solo, dash no ar e mergulha em quadros encantados que te cospem a velocidades absurdas.

O único aviso: essa mobilidade não é instantânea. Nas primeiras duas horas de jogo (e na própria demo), a sensação é de que a Rose está carregando sacos de cimento nos ombros. Mas conforme os upgrades entram na conta, o jogo vira um dos platformers de ação mais rápidos e fluidos que já joguei.


Arte Visual: De Estranho a Deslumbrante

A direção visual foi o ponto que mais causou estranheza inicial nos fóruns, justamente por beber demais de Dead Cells. Mas passado o choque dos primeiros minutos, o visual se revela um verdadeiro deleite.

Os cenários são riquíssimos em camadas de profundidade, iluminação dinâmica e contrastes góticos que casam perfeitamente com a velocidade da ação. Os quadros espalhados pelo castelo não servem apenas como decoração ou easter eggs nostálgicos para os fãs antigos — eles frequentemente escondem charadas e pistas visuais para abrir passagens secretas.

Sinceramente? Não via um jogo 2D com uma direção de arte tão estilosa e impactante desde Hades e Hollow Knight.

Arena de chefe no mar de sangue em Belmont's Curse


Trilha Sonora: O Ponto Fora da Curva

Se a jogabilidade e o visual merecem elogios, a trilha sonora foi onde o jogo realmente tropeçou feio. Em vários momentos me peguei abaixando o volume da TV porque a música estava simplesmente me desconcentrando.

Tentaram “modernizar” arranjos clássicos e composições inéditas puxando para sintetizadores estridentes e batidas que parecem descompassadas. O coral, que numa obra gótica deveria evocar o terror sacro, a solenidade e o peso da noite, soa como um banco de vozes genérico disparado num teclado MIDI por alguém que acabou de abrir o FL Studio e já saiu assinando como produtor musical (e falo com propriedade porque já fiz exatamente isso kkkkkk).

Faltou a elegância barroca de Michiru Yamane e o peso de guitarras e órgãos de tubo que consagraram a identidade auditiva da série.


História: Boa Isolada, Caótica no Cânone

A narrativa divide opiniões dependendo da sua bagagem com a série:

Diálogo da Medusa sobre Alucard, Trevor e Sypha

Se você encarar Belmont’s Curse como uma história fechada em si mesma — com início, meio e fim dentro da jornada da Rose —, o enredo funciona surpreendentemente bem. Ele tem ritmo, intriga e ganha camadas emocionais fortes conforme você descobre novas Arcanas e completa as missões secundárias dos habitantes do castelo.

Mural gótico do castelo reunindo personagens de séculos diferentes

Porém, para quem tem a linha temporal de Castlevania na ponta da língua, a experiência causa coceira no cérebro. O roteiro faz retcons agressivos, ignora eventos cronológicos consolidados e chega a exibir representações de personagens que, pelas regras da franquia, só deveriam nascer duzentos ou trezentos anos depois daquela época. É o tipo de liberdade poética que diverte o jogador casual, mas deixa o fã hardcore arrancando os cabelos. (Vou parar por aqui para não entregar spoilers dos momentos finais).


Veredito

Mesmo com suas derrapadas, afirmo sem medo de errar: Belmont’s Curse é um Castlevania legítimo e de altíssimo nível.

Tem sido frustrante acompanhar a onda de cancelamento da internet baseada em impressões de trailers e meias-verdades. Vi comparações descabidas com títulos como Hollow Knight: Silksong, mas são jogos com filosofias de design completamente distintas: enquanto outros metroidvanias apostam em punição milimétrica e atmosfera soturna, Belmont’s Curse celebra o fluxo acrobático, o momentum e o prazer cinético de voar pelas salas chicoteando criaturas da noite.

Ele tem problemas técnicos reais (os bugs de colisão e congelamento precisam de patches imediatos) e a trilha sonora passa longe de brilhar. Mas a alma de um grande jogo está toda ali: a vontade incontrolável de desbravar cada porcentagem do mapa, o magnetismo dos cenários e uma jogabilidade que não dá vontade de largar o controle.

Se você gosta de jogos de ação e plataforma 2D, não vá na onda rasa das redes sociais. Rose Belmont merece a sua atenção.

Nota: 8.0 / 10 — Um retorno ousado, com tropeços sonoros e técnicos, mas sustentado por uma direção de arte maravilhosa e uma mobilidade acrobática que dá gosto de jogar.

Veredito do Cânone

Castlevania: Belmont's Curse

Esta pontuação foi gerada através do posicionamento relativo de Castlevania: Belmont's Curse nas 5 Tierlists mestras (Gameplay, Narrativa, Arte, Áudio e Game Feel). Clique na nota acima para inspecionar os pesos e detalhes de cada critério.

Recepção dos Leitores & Retenção

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